Inspiração é tirar a cabeça mergulhada num balde com água. Esse é o comentário de um amigo meu, referência de algum escritor, agora não lembro qual. Eu já tinha relacionado a inspiração com a retomada de oxigênio, em Afrodizíaco. Mas a água mortífera que ameaça entrar pela boca, narinas e todos os poros, a água que encharca o cabelo e esvoaça na hora que levantamos a cabeça do balde, essa água também é importante. O ar que a gente finalmente respira tem algo do sabor dessa água. É preciso minúcia para perceber.
Na minha ficção estão influências de livros teóricos, claro, e outras ficções: contos, romances, filmes, séries etc. Gosto especialmente da influência das novelas. Na próxima obra, entretanto, corro o risco de não ser influenciado por nenhuma do meu dia-a-dia. Vou dar uma chance a Insensato coração, vamos ver. Vai ser no mínimo interessante ver Floripa sob o verniz global, principalmente depois de ter passado lá o reveillon.
Quero ouvir a música tema, Coração em desalinho, na voz da Maria Rita.
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